Psicólogo: PF ou PJ? Impostos comparados (com o Fator R explicado)
A resposta curta: como pessoa física você paga imposto pela tabela progressiva do carnê-leão (até 27,5%) mais INSS; como PJ no Simples, a alíquota começa em 6% (Anexo III, se o Fator R der 28% ou mais) ou 15,5% (Anexo V) — mas a PJ tem custos fixos que só compensam a partir de certo faturamento. Abaixo, as contas com números de verdade, o Fator R explicado com exemplo, e o ponto em que a troca passa a valer.
Como paga a pessoa física
Atendendo como PF, seus rendimentos de pacientes entram no carnê-leão mês a mês (hoje alimentado automaticamente pelo recibo do Receita Saúde). O imposto segue a tabela progressiva do IRPF — isento na base, subindo por faixas de 7,5%, 15%, 22,5% até 27,5% na faixa superior — e além dele você recolhe INSS de contribuinte individual (20% do rendimento, até o teto do salário-de-contribuição). Consultas pagas por empresas (uma clínica, um convênio) saem desse fluxo: viram RPA, com retenções na fonte.
A vantagem da PF é a simplicidade: sem contador obrigatório, sem obrigações acessórias de empresa. A desvantagem é que, a partir de um certo nível de renda, a mordida progressiva fica bem maior do que a de uma PJ bem enquadrada.
Como paga a PJ (e por que o Fator R decide tudo)
Psicologia não pode ser MEI — é profissão regulamentada. A PJ realista é uma sociedade (ou SLU) no Simples Nacional, e aí existem dois mundos (Karavela, eSimples):
- Anexo III — alíquota inicial de 6%: para quem tem Fator R ≥ 28%;
- Anexo V — alíquota inicial de 15,5%: para quem tem Fator R abaixo de 28%.
O Fator R com um exemplo de gente
Fator R = folha de pagamento dos últimos 12 meses ÷ faturamento dos últimos 12 meses. Para um consultório individual, "folha" é essencialmente o seu pró-labore (+ INSS patronal sobre ele). Exemplo: você fatura R$ 8.000/mês (R$ 96.000/ano). Se definir um pró-labore de R$ 2.240/mês (28% de 8.000), sua folha anual é R$ 26.880 — Fator R = 26.880 ÷ 96.000 = 28% → Anexo III, DAS de ~6%. Com pró-labore de só R$ 1.518 (salário mínimo), o Fator R dá ~19% → Anexo V, DAS de 15,5%. A escolha do pró-labore é, na prática, a escolha do seu anexo — e sobre o pró-labore incidem INSS (11%) e IRRF, que entram na conta total.
A conta, lado a lado
A leitura honesta do gráfico: em torno de R$ 5.000/mês, a diferença entre PF e PJ Anexo V praticamente desaparece — e a PJ ainda te custa burocracia. A partir de R$ 8.000/mês, o Anexo III abre uma distância que paga o contador várias vezes. Em R$ 20.000/mês, a diferença entre PF e PJ Anexo III passa de R$ 3.000 por mês — R$ 36 mil/ano. Quer ver esses números com o seu faturamento? A calculadora de impostos PF vs PJ faz a simulação na hora.
O que a PJ custa além do DAS
- Contador: tipicamente R$ 200–400/mês para serviços (Contmatic);
- Abertura: taxas de Junta Comercial e prefeitura (algumas centenas de reais, varia por cidade) + certificado digital;
- Pró-labore obrigatório: com INSS de 11% (e IRRF conforme o valor) — é também a alavanca do Fator R;
- Obrigações acessórias: NFS-e por atendimento (no padrão nacional desde 2026), declarações, alvará.
Antes de otimizar imposto, estanque as faltas
De pouco serve economizar 5% de DAS perdendo 20% da agenda em no-shows. Faça a conta do seu consultório em um minuto.
Quando NÃO compensa virar PJ
- Faturamento ainda abaixo de ~R$ 6.000/mês — os fixos comem a economia; nessa fase, rever quanto cobrar por sessão costuma render mais que abrir CNPJ;
- Renda instável (começo de carreira, agenda em construção): a PF te deixa leve para crescer primeiro;
- Você não quer gerenciar pró-labore/Fator R — mal configurado, o Anexo V pode sair mais caro que a PF em faixas baixas.
Se decidir migrar: a transição sem sustos
- Feche o desenho com um contador (anexo, pró-labore, município/ISS);
- Abra a PJ e organize a conta bancária separada — nada de misturar com a PF;
- Atualize o contrato de prestação de serviços dos pacientes (agora com CNPJ) — modelo aqui;
- Troque o documento: de Receita Saúde (PF) para NFS-e (PJ) — e avise os pacientes que usam o recibo para reembolso do convênio;
- Mantenha o registro fino de sessões e cobranças — é a base de qualquer conta bem feita (e é onde um bom software para psicólogos te poupa horas).
Seja qual for o formato escolhido, a base é a mesma: sessões, cobranças e pacientes organizados. É exatamente isso que a Nerela resolve — software de gestão feito para psicólogos.
Perguntas frequentes
Psicólogo pode ser MEI?+
Não. A psicologia é profissão regulamentada, de natureza intelectual, e não está entre as ocupações permitidas ao MEI. As opções reais são: pessoa física (Receita Saúde + carnê-leão) ou PJ comum, em geral no Simples Nacional.
A partir de quanto vale a pena virar PJ?+
Nas simulações simplificadas deste guia, a PJ no Anexo III começa a compensar com folga a partir de uns R$ 6.000–8.000 de faturamento mensal — abaixo disso, os custos fixos (contador, pró-labore, obrigações) comem a economia. Mas a resposta séria depende das suas despesas dedutíveis, do seu município e do seu pró-labore: leve estas contas a um contador antes de decidir.
Posso ser PF e PJ ao mesmo tempo?+
Pode — e é comum. Muitos psicólogos atendem uma clínica como PJ e mantêm pacientes particulares como PF. Cada papel segue sua regra: NFS-e para o que entra na PJ, Receita Saúde para o que você recebe como pessoa física. O que não pode é misturar: receita da PJ na conta PF (ou vice-versa) é dor de cabeça fiscal na certa.
O que é o Fator R em uma frase?+
É a razão entre a sua folha de pagamento (incluindo pró-labore) e o seu faturamento nos últimos 12 meses: se der 28% ou mais, sua PJ é tributada pelo Anexo III (a partir de 6%); se der menos, cai no Anexo V (a partir de 15,5%).
Vale a pena abrir PJ só pelo plano de saúde e crédito?+
Às vezes, sim — e é uma resposta que pouca gente dá com honestidade. Mesmo quando o imposto empata com a PF, o CNPJ abre portas práticas: plano de saúde empresarial (em geral mais barato que o individual), crédito e maquininha com condições de empresa, e contratos com clínicas e convênios que só aceitam PJ. Se algum desses benefícios vale mais do que o custo anual de manter a empresa, a conta pode fechar mesmo sem economia tributária — só decida com a simulação completa na mão.
As simulações deste artigo são simplificações didáticas com as tabelas vigentes em 2025/2026 e premissas declaradas (pró-labore de 28% no Anexo III, mínimo no Anexo V, contador de R$ 300/mês) — números reais variam com o seu caso. Conteúdo informativo: não substitui a orientação de contador. Fontes: Karavela, eSimples, Contmatic, Contabilizei.
A Nerela é o software de gestão feito para psicólogos: agenda, agendamento online, anotações de sessão criptografadas, lembretes por WhatsApp e relatórios — dados na União Europeia. Estamos chegando ao Brasil: entre na lista de fundadores e garanta as condições de lançamento.
Entrar na lista de fundadores →