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IA para psicólogos: notas de sessão e RGPD em Portugal

Por Nerela · Publicado em 7 de novembro de 2026 · 6 min de leitura

As ferramentas de IA que escrevem ou resumem notas de sessão multiplicam-se. Antes de experimentares uma, convém saber o que o RGPD exige quando os dados são o historial de saúde mental de um paciente. Este guia dá-te as perguntas a fazer, não uma recomendação de produto.

Nota: este texto é informação geral e não aconselhamento jurídico. Quando um ponto depende da Ordem dos Psicólogos Portugueses ou da tua situação, dizemo-lo em vez de adivinhar.

O ponto de partida: as tuas notas são dados de categoria especial

O artigo 9.º do RGPD proíbe, em regra, o tratamento de dados de saúde, salvo se se aplicar uma exceção, como o consentimento explícito para finalidades específicas ou o tratamento para prestação de cuidados de saúde por uma pessoa sujeita a sigilo profissional. Uma ferramenta de IA não altera esta regra. Se colas na ferramenta a transcrição de uma sessão ou as tuas notas, estás a tratar dados de categoria especial, e tudo o que já aplicas na tua clínica aplica-se também a essa ferramenta.

O que diz a autoridade irlandesa de proteção de dados

Não encontrámos orientação específica da CNPD sobre IA em notas clínicas, por isso usamos como referência um texto da Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC) de 18 de julho de 2024, que se aplica ao mesmo regulamento europeu mas não é orientação da autoridade portuguesa. Resumimos apenas o que o texto afirma:

O texto é geral e não fala de psicólogos nem de dados de saúde; usa-o como quadro de perguntas, não como parecer sobre a tua clínica.

Dez perguntas a fazer a qualquer ferramenta de IA

  1. Para onde vão o áudio, o texto ou a transcrição? Que empresa, que país, que subcontratantes?
  2. Ficam guardados e por quanto tempo? Podes apagá-los e há confirmação?
  3. Os dados dos pacientes servem para treinar ou melhorar o modelo? Se a resposta não for um não escrito, não uses com pacientes reais.
  4. Existe contrato de subcontratação conforme o artigo 28.º: instruções documentadas, confidencialidade, segurança, subcontratantes ulteriores, assistência e eliminação no fim?
  5. O fornecedor descreve as medidas de segurança de forma que possas avaliá-las à luz do artigo 32.º?
  6. O que sabe o paciente? Gravar ou transcrever uma sessão é um passo importante; o paciente deve ser informado com clareza e poder recusar sem prejuízo do acompanhamento.
  7. Quem revê o resultado? Um resumo pode omitir ou deturpar o que foi dito. O registo continua a ser responsabilidade tua.
  8. Precisas de uma avaliação de impacto? Dado o que a DPC diz sobre pessoas vulneráveis e tecnologias novas, escrevê-la é uma boa disciplina, mesmo que concluas que é facultativa.
  9. O que diz a tua Ordem? Pergunta diretamente à Ordem dos Psicólogos Portugueses; a orientação sobre IA na prática clínica está a evoluir e não queremos afirmar uma posição que pode ter mudado.
  10. Consegues trabalhar sem ela? Mantém o teu processo normal de notas, para que a ferramenta seja uma comodidade e não uma dependência.

Continua a ler

Lê a seguir: RGPD para psicólogos: como proteger os dados dos pacientes

Formas mais seguras de ganhar tempo

Grande parte do tempo poupado vem da estrutura, não da geração de texto. Um modelo consistente para cada sessão (motivo, intervenções, risco, plano) reduz a escrita, mantém as notas comparáveis ao longo dos meses e é totalmente teu. Vê o nosso guia da ficha clínica em psicologia.

Seja qual for a escolha, testa primeiro com dados fictícios: inventa um paciente, passa-o pela ferramenta e lê o resultado como se fosses o paciente a ler o próprio processo.

Onde está a Nerela

Este artigo não afirma que a Nerela escreve notas com IA, nem compara produtos de IA. A Nerela é um sistema de gestão para agenda, fichas de pacientes e notas de sessão, com dados alojados na UE. Se avaliares qualquer ferramenta que toque em notas de pacientes, estas são as perguntas a levar.

Fontes

Todas as páginas abaixo foram consultadas a 7 de novembro de 2026.

Perguntas frequentes

Posso colocar notas de pacientes num chatbot de IA generalista?+

Não o aconselhamos. Um chatbot generalista raramente tem contrato de subcontratação, prazos de conservação claros ou compromisso escrito de não usar os dados para treino. Os dados de saúde são de categoria especial (artigo 9.º do RGPD): confirma cada ponto por escrito antes de inserir dados reais.

Tenho de informar os pacientes se usar IA?+

A orientação da DPC sublinha a transparência sobre o tratamento e o exercício de direitos. Em terapia, informa com clareza e deixa o paciente recusar. Confirma a formulação com a tua Ordem.

A avaliação de impacto é obrigatória?+

A DPC refere que pode ser exigida, sobretudo com tecnologias novas ou pessoas vulneráveis, e que pode ser boa prática mesmo quando não é obrigatória. Se é obrigatória no teu caso, pergunta a um encarregado de proteção de dados ou jurista.

As notas geradas por IA são fiáveis?+

A DPC avisa que os produtos de IA podem produzir informação inexata ou enviesada. Trata qualquer texto gerado como rascunho que confirmas contra o que realmente se passou.

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